O
temível Aslam.
Estive lendo recentemente o livro
“Adoração, a prioridade suprema” do pastor John McArthur (em breve talvez faça
um Review sobre ele aqui no Blog). E confesso que me surpreendi ao ler no
capítulo em que ele fala sobre a santidade de Deus, um trecho do Livro tão
amado de C.S. Lewis: As Crônicas de Nárnia. A sensação de nostalgia foi forte,
tanto que me debrucei a reler o livro (na verdade a segunda história do livro.
Hehehe) e me deliciar com a criatividade do tio Lewis (note a intimidade). E ao
ler o contexto fiquei curioso com o impacto que o encontro com Aslam provocou
nos meninos, a ansiedade de encontrar-se com ele e o susto ao saber sobre sua
verdadeira natureza (Aslam é um leão). O trecho foi o Seguinte:
“– Ah! – exclamou
Susana. – Estava achando que era um homem. E ele... é de confiança? Vou morrer
de medo de ser apresentada a um leão.
– Ah, isso vai, meu
anjo, sem dúvida – disse a Sra. Castor. – Porque, se alguém chegar na frente de
Aslam sem sentir medo, ou é o mais valente de todos ou então é um completo
tolo.
– Mas ele é tão
perigoso assim? – perguntou Lúcia.
– Perigoso? – disse o
Sr. Castor. – Então não ouviu o que Sra. Castor acabou de dizer? Quem foi que
disse que ele não era perigoso? Claro que é, perigosíssimo. Mas acontece que é
bom. Ele é REI, disse e repito.”
[Caso você não saiba, o livro é uma
série de contos com alegorias sobre o cristianismo, e uma destas alegorias é a
de Aslam representando Jesus Cristo.]
Sempre que a bíblia retrata o
encontro de alguém com Deus, fica muito explícito o temor. Em Êx. 3 vemos
Moisés cobrindo o rosto por sentir medo ao ver a sarça ardente e descobrir quem
era, Isaías temeu pela sua vida em Is. 6 quanto teve a visão da glória de Deus,
João ao ouvir a voz de Deus na ilha de Patmos caiu “como morto” diante da visão
dEle (Ap 1). Fica então a pergunta: Afinal de contas, como pode o “Deus de
amor”, o nosso “Pai celestial”, causar-nos medo? Simples; Ele é SANTO.
A Santidade dEle é uma das
características que mais chamam a nossa atenção, e uma das mais difíceis de
compreender, pois nenhum de nós consegue ser santo como Deus é, pra falar a
verdade é o seu atributo especial, a palavra “santidade” em sua origem quer dizer “separado”, ela faz referencia
a algo que é distante, diferente de tudo. Engraçado o fato de que a santidade
faz tão parte da sua natureza que a bíblia chega a dizer que santo é o próprio nome
de Deus (Sl 111.9; Is 47.4; Lc 1.49; e etc.).
Mas
o que mais me intriga nisso tudo é o fato de que, apesar de tão importante,
pouco vemos ou ouvimos, nos nossos dias, pastores pregando sobre a santidade de
Deus, até por que não é uma mensagem fácil, não é algo que acaricie nosso ego.
Falar da santidade de Deus é reconhecer que somos sujos, que somos pecadores, e
que não somos merecedores de nada que vem dEle; não merecemos sequer viver. Falar
da santidade de Deus é admitir que nós somos homens e mulheres de lábios
impuros, de maus pensamentos, fofocas, inveja, luxúria, por fim, somos homens e
mulheres de pecados; e se não fosse pela misericórdia que encontramos nEle não
seríamos nem pó.
Confesso
que quando refleti sobre isso e entendi a gravidade de ser um pecador
miserável, lembrei as quantas vezes me coloquei diante de Deus “no automático”,
e confesso que tive medo, afinal, Ele é Deus, ele é Santo. Pergunto-me se você
já pensou a respeito disso, se já pensou em como tem ido à presença dEle.
Parafraseando a Sra. Castor: “Porque, se alguém
chegar na frente de DEUS sem sentir medo, ou é o mais valente de todos ou então
é um completo tolo.”
CONSELHO: Ao ajoelhar-se, sentar-se, caminhar
ou fazer o que for para orar, antes de qualquer coisa, lembre quem você é,
lembre quem Ele é; então tema, e adore-o.
Voltando
à Nárnia, mais adiante o livro mostra o encontro das crianças com Aslam:
“Quanto ao próprio Aslam, nem as crianças, nem os castores
souberam o que fazer ou dizer ao vê-lo. Quem nunca esteve em Nárnia há de achar
que uma coisa não pode ser boa e aterrorizante ao mesmo tempo. Os meninos
entenderam logo. Pois, quando tentaram olhar para Aslam de frente, só
conseguiram ver de relance a juba de ouro e uns grandes olhos, régios,
soleníssimos, esmagadores. Depois, já não tiveram forças para olhar e começaram
a tremer como varas verdes[...]
– Seja bem-vindo, Pedro, Filho de Adão – respondeu Aslam.
–Bem vindas, Susana e Lúcia, Filhas de Eva. Bem vindos, Sr. e Sra. Castor.
A voz, profunda e generosa, teve o efeito de um calmante.
Ficaram alegres e animados, não mais perturbados por estarem ali sem dizer uma palavra[...] Ele sacudiu a juba, bateu as patas (“Que terríveis patas
seriam” – pensou Lúcia – “se ele não soubesse como torná-las macias!”).”
Fantástica
a boa notícia que o tio Lewis nos traz, fantástico como apesar de Ele ser santo
e nós sermos verdadeiros miseráveis, ao entrarmos em sua presença cheios de
temor, reconhecendo que somos frágeis, pecadores, errantes, miseráveis; somos
recebidos com um consolador: “Bem vindo!”. Certa vez Jesus disse:
"Todo aquele que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora."
(Jo 6.37)
E
essa é a mensagem que nos conforta, apesar de sermos quem somos, Deus nos
conhece, e sabe nos acalmar. Quando entro na presença dEle penso como Lúcia:
“que terríveis mãos seriam, se Ele não soubesse como torná-las macias.”. Apesar
de não ser Santo como Ele é posso ter a certeza de que me ama, e jamais me
lançará fora.

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